terça-feira, 24 de agosto de 2010

Te Acordar

Hoje te acordei por um sorriso.
Pelo seu cheiro no meu pelo,
Por nós dois e a lembrança.
Hoje eu te acordei inteiro,
Com as marcas nas costas
E a mentira nos olhos.
Hoje amanheci com a janela aberta
E fiz escândalo,
Pra te impressionar
E te causar espanto.

Pedro Vasconcelos

You stay home, she goes out

Fração de momento
Espectro de lucidez a vista.
You stay home, she goes out
Espectro de solidão em casa
Da janela a vista
Eu fico em casa, ela sai.
Mas eu te odeio
E nada me importa
Só eu me importo com ela
E ela me importa
You stay home, she goes out
Nada exige importância
Mas eu me importo.
Te odeio
Te exijo
Te julgo em ortografia.
You stay home, she goes out
 
Pedro vasconcelos2009

Flora

Seu nome é substrato seu.
Do corpo beijando a margem
E o meu imagem,
De você em mim.
Amor não da tempo ao tempo
Flor que se cheire,
Vicia
E mata.
Vamos arriscar nossa timidez,
Celebrar o verde da nossa teoria
De que sozinho não tem graça
E nem teria.
Se nos dois não fossemos ciclo
E sim,
Poesia.
Eu não tenho medo de filhos,
Eu não tenho medo de donos.
Tenho horror à feiúra
E medo de quem compra.
Dono do mundo, dona das coisas.
Em mim você não manda,
A mim você não compra.
Arrogância e soberba,
Maquiagem e rock britânico.
Essa rua também é minha.
E o tapa na cara foi cuspe no chão
Mentira,
Foi suor sem trabalho
É pagar entrada por consumação.

pedro Vasconcelos 2009

Desentendido

O mundo talvez não te entenda,
Não é de praste ser entendido.
O comum é ser julgado,
Ser mal feito e mal falado.
O mundo talvez não te entenda,
Más você procura entender o mundo,
Procura entender de tudo.
O texto e contexto.
Tudo em uma lida só.
O certo é que o ser humano segue nu
Segue incerto como um mistério
O mundo talvez não te entenda
Não sei se é ser humano,
Se é ser político ou animal
Instintos ressoam os verbos
Instintos ressoam as cores
Instintos colocam meus pés sensíveis nesse chão de terra
O mundo talvez não te entenda,
Más você também resume o mundo
Não aceita nada,
Não se rende e nem opina
Não mastiga e também não cospe
O mundo talvez não te entenda,
Talvez não entenda seu amor brega.
De calcinha em um domingo
Seu sexo cético e desconfiado
Sua champagne triste e sem espuma
O mundo talvez queira um dia te entender
E você vai entender,
Que no mundo não há mais nada para ser entendido.
 
Pedro Vasconcelos
2008-09-09
 
 
 
 
 
 
 

É como se mundo girasse

É como se mundo girasse.
Em verdades
O sol que me dilata pupila
Guia-me sem cartilha
Até a próxima esquina
Pois sua imagem presa na retina
Dá luz ao céu que nada mais ilumina
Um céu que nada mais lhe oferece
E sei que o tudo encontra no todo
Uma resposta que se encontra esburacada
No sorriso tão discreto e hostil
Que no inverno quase seco do Brasil
Encontra a rosa quase morta no quintal
E não existe se quer originalidade
Pois na calada derramada
Sangue escuro
Segue seco na calçada
Sem que a chuva ameace suas marcas
De menina
Marginalizada
Na marca da menina entristecida
Sinto o cheiro de mulher estarrecida
E cansada
Ela sai de casa enfurecida
É como o vento que escapa do ventre da mãe
E despida de mim
Morre para que se siga com a vida.
pedro Vasconcelos.
De algumas sombras, os gritos
A alucinação
Segue a linha reta de uma avenida sinuosa
A sola gasta
E furada de asfalto,
Denuncia.
O ar e sua criatividade,
Pronta para de alguma maneira
Ser consumida,
Direcionada pela ignorância do vento
Destruída pelos ouvidos dos poetas experimentalistas.
Em cada sarjeta,
Um mendigo e sua historia,
Um conto,
Aonde a insanidade supera a tristeza
Como se a fome perdesse a importância
E as bocas dos bueiros se abrissem de uma vez.
Em todos os bares,
Lugares
E praças,
Notei logo
Tão somente
A beleza das paredes e jardins.
E a frieza condicionada
Pelos ares da burguesia rural.
A cidade mora na sombra de um prédio
E não me importam as penumbras.

Pedro Vasconcelos
2008

Asma

O tempo parou,
Pelo ar poluído pairam algumas de minhas orelhas
Inspiro sua falta
Tragada quente na minha garganta inflamada
Sua ausência ganha força
E invade egoísta o meu pulmão inocente
Expiro,
Sentindo o acelerar de um coração frigido
Queimando tripas e espalhando brasas
Fechando o peito que insiste em estar aberto
O ar não entra
Mas também não sai
O estático do meu respirar
Confunde-se com o compasso da morte viva
Presente nos finados da esperança inútil.
Amor
Pedro Vasconcelos.
2008 

Brasilidade

Respeitem meu ego Macunaíma
Meu contra gosto latino americano
Os tempos são outros
E meus gritos serão escutados
Deixem os pássaros e as cores de Zuzu em paz
Que as frutas de um falso tropical eternizem Carmem em coro de tico-ticos
Acreditem nas profecias de um tal Raul
No romantismo exacerbado do companheiro Chico
E na melancolia poética de Cartola e Noel
Respeitem essa vontade minha de dormir na rede
De comer acarajé com bastante pimenta
E depois me embriagar com cachaça da roça
Senhoras e Senhores
Quero que aceitem minha poesia suja
Sem rima
Sem virgula
E sem ponto
Mas entendam
O complexo desenrolar de minha língua
Como um ultrajado passo futuro da historia
Provemos
Que Caminha estava errado
Viva a terra esquecida
Vivemos brasilidade.

pedro Vasconcelos 2007

Justificando

Não vou justificar
O trocar de minhas letras,
Nem explicar meus lapsos de rebeldia
Não vou me acomodar com a pouca poesia
E nem negar o resto do que escrevo
Não quero morrer satisfeito por um copo de coca-cola
E nem fumar cigarro pra sentir a brasa que te falta
A minha brasa é a vida
E minha coca-cola é a rua
Tudo que eu quero não cabe no seu simples
Não é caligrafia de qualquer quadrado
Sou além,
Muito além da margem.
Dançar por uma noite é pouco
Poema em papel de bar é pouco.
É pouco fazer por fazer.
Faço acontecer
Pelos mosquitos que palpitam de pronto
Faço morrer por um grito de refém desesperado
Só pra me faltar limite.

pedro Vasconcelos
 

Seremos em bando

Somos e não somos,
Somos fome,
Fomos sono,
Seremos gritos de liberdade encalhados no tempo
Somos,
Talvez fomos
Fumamos a podridão gaseificada a prestação,
A prestação de um automóvel estático
Enfileirado
Seremos ‘’dizedores’’ de nossas próprias e exclusivas verdades
Não acreditamos
Não cremos
Nem seremos aceitos
O movimento é estreito
Sentido anti-horário
Ideologicamente incoerente
É rato que corre a deriva do gato
Um prato fundo de sopa
Garfo e faca
Grato
Ser ingrato não é ser cético
Espirituoso
É saber que mão tem cinco dedos
Cinco formas de ser estendida
 
Pedro Vasconcelos
Mov. Brasilidade

Semana santa

A novidade colorida em plasma,
Emite radiações de tempo e esperança.
Na solidão América
Nada posso ser além,
Nada posso ir além de individuo.
Nada posso pensar por entre o fora
Da mediocridade da paixão e da família.
O pássaro branco anuncia.
O sorriso e a alegria do não ser
Não sou Deus,
Não sou pai e não sou filho,
Não criei o mundo
E não julguei o homem.
Prazer!
Meu nome é profano
Sou vento e afano
E tenho tempo,
Tempo pra dar e vender.
 
Pedro Vasconcelos
2009-04-09

Capital

O homem
O lobo do homem
Um homem de um lobo
O lobo faminto
Um homem com fome
Um lobo correndo
Um homem com forma de lobo
Um lobo com feição de homem
Quase vivo lobo
Quase morro homem
Lobo
Homem
Mundo
Capitalismo.

pedro Vasconcelos
2008

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Bando, o que seremos?

Pela Prosa

Eu faço minha sombra, tenho tanto medo dela que muitas vezes não saio na rua. Talvez seja medo tolo, medo de esbarrar comigo mesmo, medo de me ver na frente de um eu que não conheço.
Minhas preposições se misturam com os meus substantivos, nem mesmo os mais abstratos conseguem desfigurar o que de sólido trago no peito.Perder o indefinido é mais difícil com certeza.Perder não é tão poético. Perdi toda a minha poesia, escrevo em prosa, prosaica e seca.
Considero melancolia, considero sentimentos desconsideráveis.Nada me é tão próprio e tão pessoal como o que sinto, não sinto nada.
Primitivo amo.
 
 
Amor,
pedro Vasconcelos 2007