terça-feira, 24 de agosto de 2010

Brasilidade

Respeitem meu ego Macunaíma
Meu contra gosto latino americano
Os tempos são outros
E meus gritos serão escutados
Deixem os pássaros e as cores de Zuzu em paz
Que as frutas de um falso tropical eternizem Carmem em coro de tico-ticos
Acreditem nas profecias de um tal Raul
No romantismo exacerbado do companheiro Chico
E na melancolia poética de Cartola e Noel
Respeitem essa vontade minha de dormir na rede
De comer acarajé com bastante pimenta
E depois me embriagar com cachaça da roça
Senhoras e Senhores
Quero que aceitem minha poesia suja
Sem rima
Sem virgula
E sem ponto
Mas entendam
O complexo desenrolar de minha língua
Como um ultrajado passo futuro da historia
Provemos
Que Caminha estava errado
Viva a terra esquecida
Vivemos brasilidade.

pedro Vasconcelos 2007

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